é preciso saber sentir

nunca deixe que se perca por aí
a sua capacidade de se emocionar

pois é preciso saber sentir
para poder fazer sentir

nunca deixe de procurar a solução

mesmo que você não saiba o problema

[respire fundo e aprenda]

não saber com quem se pode contar

não é o mesmo que não poder contar com ninguém

e nunca chegará o final feliz

de quem põe a felicidade de todos à frente da sua

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Escolhas

Escolher às vezes pode ser tão difícil

que eu até gosto mais quando a situação não me dá muita escolha.

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Quando você não tem que escolher as condições,

acaba aproveitando com mais criatividade

o que de algum jeito vem parar na sua mão.

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Querer fazer tudo sempre do seu jeito

te tira a chance de ver as coisas por outra perspectiva.

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“E o acaso vai me proteger

enquanto eu andar

distraído”

Titãs

Cemitério do Incompleto

Depois de um tempinho sem aparecer por aqui, achei algo que poderia ser inspiração para uma postagem.

Tal como muitas outras vezes silenciosamente já aconteceu, acabei não achando um modo satisfatório de transformar a ideia ou sentimento em palavras, e o título, juntamente com mais duas linhas digitadas, foram parar na minha pilha semi-infinita de rascunhos.

Em meio aos rascunhos – às vezes somente títulos, ou frases soltas – descobri então um novo objeto de admiração: o incompleto. Todas aquelas ideias de textos que ficaram inacabadas formaram uma espécie de “diário quebra-cabeças das desventuras da minha vida”, e eu perdi a noção do tempo tentando imaginar para cada fragmento desse uma continuação.

Foi grande a vontade de preencher certas lacunas e publicar alguns dos textos, mas no fim me dei conta de que cada fragmento tem uma carga emocional, e não deve ser tocado para satisfazer o simples prazer de escrever.

Cada texto aqui escrito mostra um estado de espírito, e todas as ideias devem ser exploradas enquanto estão sendo vividas. Ou toda a minha proposta de escrita deixaria de fazer sentido.

Tudo o que posso fazer é voltar vez por outra para apreciar e deixar algumas flores nas lápidesdo que passarei a chamar de Cemitério do Incompleto.

 

Preciso me encontrar

O título é de uma música do mestre Cartola que eu ouvi esses dias e pareceu traduzir o que eu tenho sentido…

Tempos atrás decidi procurar pela paz interior esvaziando a mente. Quando finalmente consegui, percebi que fugir de tudo que traz problema me deixa frágil, me sentir desconectado do mundo me trouxe uma agonia profunda, acompanhada da dificuldade de manter dentro da mente as poucas coisas que eu de fato queria que lá estivessem.

Mais uma vez (e quem sabe pela última?), a casa caiu, o plano falhou, e eu não quero mais perder meu tempo procurando por nenhuma solução ou fórmula mágica pra acabar com os meus problemas todos de uma vez.

Só quero andar por aí, espairecer, ver o que há de bonito, e recuperar, pouco a pouco, o foco nas coisas que me interessam no mundo, com todos os encantos e desgostos que cada uma possa trazer.

férias das minhas férias

me dei conta que estava de férias, mas nem parecia. tanta correria, tanto problema alheio acumulado na minha cabeça… e eu não fazia ideia de como a solução poderia ser simples.

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acender um cigarro? abrir uma cerveja bem gelada? não.

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tinha esquecido como é bom passar a madrugada esparramado num colchão inflável no chão da sala de casa, com o computador no colo, trocando mensagens aleatórias e descompromissadas, tendo a tv apenas como um multicolorido aquário iluminado de plano de fundo, e abrindo a geladeira de vez em quando pra catar algum petisco, ou só pra pensar mesmo.

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tudo que eu precisava era desacelerar. demorei pra perceber, mas veio na hora certa… a diversão havia virado compromisso, e eu precisava de férias das minhas férias.

alforria, recomeço.

eu perdi. odeio perder, e embora tenha sido chato admitir, pior ainda foi a tortura de não entender o motivo.

passou-se o tempo e a dor sumiu quase que completamente, tornou-se só um pensamento incômodo que vez por outra tomava minha mente. mas continuou difícil de seguir em frente, porque de sequelas sobraram a descrença no amor, a falta de disposição, o medo de me machucar, e a mania de mecanizar as atitudes e quantificar os meus sentimentos e os dos outros.

mas hoje meu grito de liberdade finalmente foi dado. me sinto leve, pois as peças do quebra-cabeça se encaixaram, e eu pude ter certeza de que essa vitória estava fora do meu alcance, fora das minhas possibilidades, e que qualquer coisa que eu conseguisse, por maior e mais bonita que fosse, seria temporária.

enfim vejo novamente a luz do sol. tenho em mãos a minha carta de alforria, e a certeza de que posso seguir em frente, sem nunca mais deixar a dúvida me consumir.

cansei das minhas férias, é hora do recomeço.

sexta à noite. medo de escolher.

é sexta à noite.

 

e em vez de estar por aí enlouquecendo em qualquer lugar com pouca luz e muita música,

estou mais uma vez tentando transformar todo esse drama e incertezas em alguma coisa sólida

que eu possa chamar de opinião.

 

e venho percebendo que a minha vida se vive sozinha, mesmo que eu não faça questão de escolher nada.

memórias, afeições, em maior ou menor intensidade, sempre vão surgir.

 

o tempo passa, e daqui a pouco tempo já é tudo novo, de novo. como sempre tem sido.

 

tenho medo de pensar sobre onde é que isso vai dar… ou melhor, o que vai sobrar disso tudo?

quem ainda vai estar comigo quando o mundo parar de girar?

 

antes eu tinha certeza de que iria saber reconhecer o que é especial quando passasse por mim,

mas agora acho que todas as minhas noções estavam equivocadas, e tenho medo de nunca descobrir

o que, ou quem é especial pra mim.

 

é tanta gente indo e vindo… mas sempre transitando, nunca parando. vejo minha vida passando em fases,

capítulos, diante de mim. e não vejo nada crescer, florescer.

 

será que sou eu que não estou plantando nenhuma semente?

 

relaxe, amanhã é outro dia. será que é dia de escolher?