sobre o carnaval

apesar de tudo, esses dias de carnaval deixarão saudades.

pela falta da vaidade, pelos anéis de fumaça inconstantes, despreocupados.

por poder aproveitar o sol da manhã daqui da minha varanda,
com meus pensamentos, meus óculos escuros e minhas músicas.

por lembrar como é desfilar no bloco do eu sozinho,

e por saber que o melhor ainda está por chegar.

.

eu gosto de ver as fotos da alegria alheia,

observar de longe, com um sorriso no rosto,

e saber que está tudo certo.

Anúncios

fim da festa

é estranho, mas eu gosto do fim da festa.

.

é no fim que eu me sinto acolhido, quando só resta aquela rodinha dos melhores amigos, sem gravata, colarinhos frouxos, vestidos desabotoados, penteados desfeitos, sapatos empilhados. ouvindo baixinho aquela música mais casual, criando coragem pra limpar a bagunça, aproveitando os goles finais das garrafas, a cerveja já meio quente, compartilhando os últimos cigarros, rindo do que aconteceu, vendo o dia amanhecer.

.

sem sorrisos falsos, sem protocolos, sem mascaras de maquiagem. é isso que vale a pena.

erros alheios

não vale a pena fechar os olhos pro mundo, fingir que as coisas não estão acontecendo ao seu redor. você continuará a sofrer as consequências dos erros alheios, sabendo ou não o motivo.

o mundo é podre, as pessoas estão sempre cometendo erros. e isso nunca vai mudar.

melhor é estar sempre atento, saber o que está acontecendo, divertir-se com os erros alheios, ter a chance de impedir alguém de cometer um erro que vai prejudicar injustamente outras pessoas.

na pior das hipóteses, é sempre bom saber de que lado você será atingido.

teorias

nada é coincidência, amor. todas as teorias fazem mais sentido

se vistas ao contrário.
.
prometo que um dia ainda vou te pegar pela mão,

e te abraçar forte do pôr-do-sol até o amanhecer,

para que decidamos, juntos, qual dos dois é o mais bonito.

.
não quero mais essa vida de solidão pra mim.

não aguento mais essa solidão acompanhada.

esse é o limite do meu silêncio.

despedida de um amigo querido

não costumo escrever esse tipo de texto aqui no blog, mas desde cedo eu sinto alguma coisa faltando, e achei que essa despedida era no mínimo justa.

.

finalmente é chegada a hora da despedida de um amigo tão querido. uma amizade forte, que me acompanhou ao longo de todo o ano passado, fazendo mais fáceis de suportar as árduas semanas, contribuindo direta e indiretamente na construção dessa irmandade que eu reuni nessa cidade que no início pareceu impossível de se viver.

tenho andado distante de todos, buscando algumas respostas, organizando as ideias, e talvez por isso esse e todos os outros amigos achem que a amizade esfriou, que eu não me importo mais. mas está tudo muito vivo, eu me importo sim, e a dor que eu sinto hoje, por saber que esse amigo agora vai ganhar o mundo é a dor de ter um órgão arrancado. sem anestesia.

a vida nessa escola e nessa cidade vai ser mais difícil agora. mais aflito ainda eu fico por saber que daqui a seis meses vai embora outra pessoa importante, e que no fim do ano, estará separada definitivamente a santíssima trindade.

amigo Diogo, saiba que nunca serão apagadas as lembranças de tanta gente e tanta coisa louca, linda e inesperada que a gente conheceu, inventou e aprontou, fazendo tremer essa escola e essa cidade.